samuel kulbila - academia improvisada

Conheça o gigante ganês que treina numa academia improvisada

Kulbila Samuel treina numa academia improvisada e vai fazer você pensar duas vezes antes de culpar equipamentos por um treino ruim

Você é daqueles que reclama se a academia não tem rack de agachamento livre, máquina de crucifixo ou bosu? Que acha que os resultados vão ser piores porque as anilhas estão um pouco enferrujadas ou porque os halteres não são novinhos?

Então talvez a história de Kulbila Agyarko Samuel faça você repensar alguns conceitos.

O cara nasceu e cresceu em Gana, no oeste da África, e nem a absoluta falta de estrutura o impediu de treinar. Aliás, muito pelo contrário: o cara treina numa academia improvisada, se tornou um monstro gigantesco e fez várias outras pessoas da sua cidade chegarem lá.

A história de Kulbila e seus treino na academia improvisada ficou famosa graças aos seus posts no Instagram.

Fomos atrás de detalhes e traduzimos uma entrevista com o gigante, que você vê aí embaixo, junto com algumas fotos e vídeos, que vão fazer você pensar duas vezes antes de culpar a falta de um outro equipamento para a falta de resultados do seu treino.

Conheça o gigante ganês que treina numa academia improvisada

Nome: Kulbila Agyarko Samuel
Idade: 26 anos
Cidade natal: Akropong, Gana
Peso e altura: 89 kg, 1,73m

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Para começar, conte um pouco sobre a academia improvisada que o mundo conheceu no seu Instagram!
Na verdade, a academia improvisada na verdade são duas. Treino em dois lugares diferentes, porque cada um têm equipamentos diferentes. Então, basicamente, fico revesando entre as duas academias. Uma é de um amigo, que também é meu vizinho. Nomeamos a academia dele de Academia do Ala, porque é o nome dele. A outra é a Academia do Conan – pelo mesmo motivo.

Qual o seu apelido na academia?
Meu apelido é Titânio, que eu adotei depois de ouvir uma música do David Guetta com esse nome, que se tornou uma das minhas favoritas. Uma parte da letra diz: “you shoot me down but I won’t fall I am titanium” (“você atira mas eu não caio, sou feito de titânio”). Quando ouvi, nem sabia o que era titânio, mas pesquisei na internet e descobri que é um metal forte, resistente à corrosão. Achei que tem a ver comigo, por causa da força e por resistir às condições adversas… decidi adotar.

Quando e como você começou a treinar? De onde veio e vem a motivação para isso?
Conheci a musculação através de um amigo – que Deus o abençoe. Ele estava treinando e me convidou… no começo eu resisti, mas ele insistiu tanto, disse que eu era bom em esportes e que meu corpo era propício… então, no dia 15 de setembro de 2011, às 6h30 da manhã, fui para a academia com ele. Nesse dia, treinei braços e ombros, e não conseguia me mexer no dia seguinte. Isso me desanimou, mas esse meu amigo insistiu, disse que a dor era temporária, e eu fui na dele. Depois de alguns meses, as pessoas já começaram a me olhar quando eu estava sem camisa (risos). A partir daí, eu vi que é preciso confiar no ferro, que o ferro não mente. Agora, já faz quase 6 anos que treino direto.

Aparentemente você tem uma genética muito favorável, né?
Sim, mas isso não serviria de nada sem muita dedicação e trabalho pesado. No meu caso, os resultados são consequência da soma dessas duas coisas: genética “boa” e muito treino.

E você já usou ou cogitou usar esteroides anabolizantes?
Não… de verdade, nunca passou pela minha cabeça. Meu objetivo, desde que tomei gosto pela musculação e pelo bodybuilding, sempre foi de me tornar um dos melhores fisiculturistas naturais do mundo. Então nunca cogitei a possibilidade de usar nada.

Como é a sua alimentação? Como você divide os macronutrientes?
Na verdade, eu não conto calorias e, para ser honesto, não entendo muito do assunto e não saberia fazer isso direito. Eu como bastante carboidrato e em geral faço quatro refeições por dia. Os pratos variam um pouco, mas, em geral, é da seguinte forma:

  • 1ª refeição: hausa koto e koosay (mingau e bolinho de feijão)
  • 2ª refeição: 6 claras de ovo, 3 bananas e aveia
  • 3ª refeição: arroz, mandioca, banana, peixe com molho de folhas de mandioca e abacate
  • 4ª refeição: parecida com a terceira, mas trocando o molho de folha de mandioca por molho de tomate, e acrescentando dois ovos inteiros cozidos e um pouco de feijão verde

Home sweet home … lunch is ready: cassava ,plantain(ripe and non ripe) and cocyam leafs sauce 😋😋😋..

Uma foto publicada por Kulbila Agyarko Samuel (@kulbila_fitness) em

Você faz suplementação?
Já tomei suplementos como óleo de peixe e multivitamínicos e também já experimentei creatina, mas não foi de forma contínua. Um amigo me deu para experimentar, e isso já faz bastante tempo. Em Gana, os suplementos são escassos e muito caros, então me baseio apenas na alimentação convencional.

E o treino… você faz algum exercício cardiorrespiratório?
O meu cardio é uma corrida leve e um pouco de corda (de pular) antes do treino, umas duas vezes por semana.

E o resto do treino?
Meu treino é adaptado às condições que tenho para treinar. Tento garantir o trabalho de todos os grupos musculares durante a semana, e para isso faço duas sessões quase todos os dias, de manhã e à tarde. Faço muitas séries, com ranges de repetições que variam de 8 a 15.

Qual parte do corpo você tem mais dificuldade em trabalhar?
Uma parte que eu sempre tive muita dificuldade, mas que melhorei muito de uns tempos para cá foi as minhas costas. Não sabia exatamente como ativar esses músculos, e a academia também não favorecia esse tipo de treino. Depois, conseguimos improvisar equipamentos como barra fixa e a máquina para puxada na polia alta, e resolvemos o problema.

E quais os seus recordes pessoais?
Isso é engraçado, porque na minha academia os pesos são improvisados, então a gente não sabe exatamente qual a carga que estamos levantando. Eu não sei dizer qual o meu recorde (risos).

Falando nisso, como você mantém a academia?
Bom, minha academia é como todas as outras… quem treina lá, paga uma mensalidade. Mas ela é mais acessível, claro. Os equipamentos, como os halteres, fazemos com cimento e canos de ferro. Também usamos ferro velho para fazer as barras, anilhas e outros equipamentos. Fazemos isso porque as academias da cidade são caras, não temos como pagar. Então a gente improvisa.

Você acha que teria um shape ainda mais insano se treinasse numa academia comercial?
Acho que sim, porque os equipamentos dessas academias são mais balanceados e existem várias máquinas para exercícios isolados, duas coisas que proporcionam um crescimento mais simétrico. Na minha academia, sem saber os pesos exatos e com equipamentos improvisados, isso não acontece e corremos mais riscos de sofrer lesões. Mas nada disso é desculpa para deixar de treinar, ou para estagnar.

Com informações dos sites Zelsh e Max

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